ERP mostra estoque, mas a gôndola continua vazia? Como o Dalben Supermercados transformou a operação com Kikker e Fluxxer e eliminou a ruptura invisível no varejo
- 7 de mai.
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O varejo supermercadista vive um momento em que dados nunca estiveram tão presentes dentro das operações. ERP, BI, dashboards, relatórios de vendas, curvas de demanda, métricas de sell-out, indicadores de margem, cobertura de estoque e análises de performance fazem parte do dia a dia de supermercados de todos os portes. Mesmo assim, uma pergunta continua sendo feita diariamente por proprietários, diretores, gestores de operações, profissionais de PCP, logística, abastecimento e prevenção de perdas: por que o sistema mostra estoque, mas o cliente encontra a gôndola vazia?
Essa pergunta representa uma das dores mais silenciosas e, ao mesmo tempo, mais caras do varejo moderno. O produto foi comprado, o fornecedor entregou, a nota fiscal entrou no sistema, o ERP registrou o saldo, o estoque virtual aponta disponibilidade e o BI mostra que existe mercadoria. No entanto, quando o cliente chega à loja, o produto simplesmente não está na prateleira. A venda não acontece, a experiência do consumidor é comprometida, a confiança na loja diminui e a margem desaparece sem que, muitas vezes, a diretoria perceba imediatamente onde está a falha.
Essa situação tem nome: ruptura invisível. Em muitos casos, o problema não está na compra, nem no fornecedor, nem no sistema. O problema está entre o planejamento e a execução. Está no momento em que a informação existe, mas não se transforma em ação operacional. Está na tarefa que não foi criada, na reposição que não aconteceu, no produto que ficou parado no depósito, no checklist preenchido sem auditoria, na comunicação feita por rádio, no recado enviado por WhatsApp ou na dependência da memória das pessoas.
Foi exatamente esse desafio que o Dalben Supermercados, empresa familiar com 52 anos de história, administrada pela terceira geração da família, com aproximadamente 1.200 colaboradores e mais de 25 mil SKUs em operação, decidiu enfrentar de forma definitiva. Em busca de uma operação mais profissional, previsível e orientada por dados, a rede implementou o ecossistema formado pela inteligência da Kikker e pela disciplina operacional da Fluxxer.
A transformação começou ao entender que o varejo não precisa apenas de informação. Precisa de informação que vire execução. Antes da implantação das plataformas, boa parte dos processos exigia consultas manuais ao ERP, cruzamento de relatórios, análises em planilhas de Excel, conferências individuais, mensagens em grupos de WhatsApp e uma rotina altamente dependente da experiência e da memória das equipes. O dado existia, mas a operação ainda trabalhava de forma reativa.
Segundo Fernanda Dalben, a chegada da tecnologia mudou a dinâmica da liderança. Ela explica que a Kikker veio para dar mais tempo ao time, permitindo que as pessoas pensem mais estrategicamente, negociem melhor e tomem decisões muito mais assertivas com base em informação real.
Com a implementação da Kikker, a rede passou a trabalhar com inteligência artificial e machine learning para previsão de demanda. A plataforma analisa continuamente histórico de vendas, sazonalidade, curvas de consumo, métricas de sell-out, OSA (On Shelf Availability), comportamento de compra, estoque virtual, estoque negativo e tendências de ruptura. Em vez de trabalhar com “achismo”, a operação passou a saber exatamente o que produzir, quando produzir, quanto abastecer, quando transferir e quais SKUs precisam de atenção antes que o cliente perceba a ruptura.

Segundo Rian, antes era necessário abrir o ERP, analisar vendas, verificar quebras e cruzar dados manualmente para tomar decisões. Hoje, com a Kikker, essas informações chegam praticamente prontas para a equipe.
Mas prever não basta. No varejo, planejamento sem execução continua gerando perdas. Foi nesse ponto que entrou o Fluxxer, uma verdadeira plataforma de execução operacional desenvolvida para transformar dados em tarefas reais no chão de loja.
Cada alerta gerado pela inteligência da Kikker deixa de ser apenas um dado no dashboard e passa a se transformar em uma missão operacional completa. Cada tarefa possui SKU definido, loja definida, setor específico, responsável identificado, prazo de execução, prioridade, evidência obrigatória e escalonamento automático caso a missão não seja concluída.
Essa mudança eliminou um dos maiores problemas do varejo: a falsa conformidade. Durante anos, muitos supermercados conviveram com checklists preenchidos com “OK”, mas sem garantia de que a execução realmente aconteceu. O famoso problema da “canetada”. Com o Fluxxer, cada missão pode exigir escaneamento EAN (código de barras), registro fotográfico, geolocalização, horário de execução, auditoria de presença e comprovação do SKU correto.
Isso significa que atividades como auditoria de planograma, conferência de preços, montagem de ponta de gôndola, controle de validade, checagem FEFO, inventário rotativo, auditoria de produção e controle de conformidade deixaram de depender apenas da palavra do colaborador. Agora existe evidência operacional.
Outro ganho importante foi no abastecimento. Uma das perguntas mais comuns dentro do varejo é: onde está a falha se o produto foi comprado, está no depósito, mas não chega na gôndola? O Dalben descobriu que, muitas vezes, o problema não estava na compra, mas na falta de rastreabilidade entre estoque e execução.
Com a integração entre Kikker e Fluxxer, quando um SKU apresenta risco de ruptura, a inteligência da Kikker identifica o problema e automaticamente cria tarefas como separação no depósito, conferência de lote, escaneamento EAN, movimentação interna, abastecimento da loja, auditoria de exposição e escalonamento caso haja atraso. O produto deixa de ficar invisível no estoque e passa a seguir um fluxo de abastecimento totalmente rastreável.
Segundo Rogério Dias Leite, a rede sempre trabalhou de forma muito manual, com muitas planilhas e controles em Excel. Com Kikker e Fluxxer, todo o processo ficou muito mais mastigado, simplificado e confiável.
Nos setores de produção própria, como padaria, restaurantes, perecíveis e FLV, os ganhos também foram expressivos. Antes, muitos processos eram feitos “no olho”, sem programação estruturada. Hoje, a operação trabalha com controle de shelf life, gestão de FEFO, auditoria de receitas e cozinha, gestão de frescor, controle de conformidade e prevenção de perdas no varejo.
Segundo Gilmar, gerente de loja, antes o processo de produção era feito com base na percepção da equipe. Com a implantação da Kikker, a produção passou a ser automatizada, melhorando qualidade, tempo de produção e disponibilidade dos produtos.
A gestão em tempo real também foi outro divisor de águas. Em redes com múltiplas lojas, uma pergunta estratégica é: como descobrir rapidamente qual loja está com a operação atrasada hoje? Com o dashboard burndown do Fluxxer, o Dalben passou a monitorar tarefas concluídas, missões em andamento, atividades críticas, pendências por loja e gargalos operacionais em tempo real.
Se uma tarefa importante não for executada, o sistema escala automaticamente para líderes, gerentes ou diretoria. Sem depender de ligações, grupos de WhatsApp ou cobranças manuais.
Segundo Jean, os dados chegam em tempo real e os resultados ficam na tela o tempo inteiro, permitindo uma gestão muito mais detalhada e próxima da operação.
Os resultados começaram a aparecer rapidamente. A rede conquistou redução significativa de quebras, eliminação da ruptura invisível, aumento nas vendas, melhoria no OSA, redução de estoque virtual, menor incidência de estoque negativo, mais produtividade operacional, mais integração entre PCP, produção e lojas, além de um avanço importante na prevenção de perdas no varejo.
Ao compartilhar sua experiência, Fernanda Dalben deixa um recado claro para outros varejistas: “Faça isso quanto antes. O nosso negócio é muito complexo e precisamos olhar para gestão, porque isso vai fazer diferença lá na última linha.”
O case do Dalben Supermercados mostra que, no varejo moderno, a pergunta já não é mais apenas “tem estoque?”. A pergunta correta agora é: o estoque virou execução?
Porque estoque parado é custo.
Relatório sem ação é desperdício.
Checklist sem evidência é risco.
Dashboard sem tarefa é ilusão.
Mas quando inteligência, automação de processos no varejo, gestão de tarefas a nível de SKU, controle de conformidade, auditoria operacional e execução disciplinada trabalham juntos, o resultado aparece exatamente onde todo supermercadista quer enxergar:
Na gôndola.
No cliente.
Na venda.
E principalmente na última linha do negócio.




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